terça-feira, 28 de junho de 2016

Argentinos vêm de bike ao Brasil e produzem documentário sobre tribo indígena Pataxó

Por João Reis e João Miranda 

Fotos: Divulgação / En Cleta Vamos 

Quando alguns jovens amigos decidiram combinar seus conhecimentos e experiências para trabalhar em um projeto nômade, mal imaginavam que no percurso que fariam pelas terras brasileiras encontrariam tamanha riqueza cultural. 

Desde dezembro de 2014 o coletivo En Cleta Vamos está viajando o Brasil em cima de suas bicicletas, desbravando e conhecendo diversos territórios indígenas do nosso país. Iniciaram a viagem no Rio de Janeiro, passando por Minas Gerais, Espirito Santo, Bahia e o nordeste brasileiro, terminando a jornada saindo pela fronteira com a Venezuela. 

Nessa longa viagem, visitaram a Reserva da Jaqueira, localizada a 13 km ao norte de Porto Seguro, na Bahia. São mais de 30 famílias da etnia Pataxó que vivem para manter sua cultura e preservar os 827 hectares de Mata Atlântica que ainda restam no local. E da convivência entre os argentinos e os indígenas, veio a criação do documentário Konehõp Upu Ibá – Os Filhos da Mata. 

Após a produção do filme, a viagem deveria seguir em frente. A cada cidade que o coletivo parava para se estruturar, propunham um cine-debate com os moradores da região. Eles acreditam que através de diferentes manifestações artísticas e de intercâmbio cultural, é possível contribuir com um processo de mudança para a sociedade. 

Agora o En Cleta Vamos está em São Paulo, e vai exibir o documentário esta quinta-feira (30), em Pinheiros. Para saber sobre outras futuras exibições, conheça a página do coletivo no Facebook. 

O FILME 



Revelando as causas e consequências do massacre dos Pataxós no ano de 1951, o documentário mostra o processo de homologação e demarcação do território indígena e a criação da escola com educação diferenciada dentro da aldeia. Além disso, explora-se as tradições e costumes dos Pataxós em seu dia-dia na Reserva, expondo suas pinturas corporais, a cozinha comunitária, seus rituais, sua vestimenta e até a procura de lenha para as fogueiras da tribo. O documentário também enfatiza a importância das mulheres na construção de sua comunidade. 

Após a exibição do doc, o coletivo En Cleta Vamos convida a todos para uma roda de conversa sobre o filme com os integrantes do grupo.

Confirme presença no evento CLICANDO AQUI.

Associação das Mulheres Yanomami realiza a primeira assembleia em Maturacá



Foi histórico. Foi pela primeira vez que as Mulheres Yanomami tiveram um espaço exclusivamente delas para debater problemas, dificuldades e elaborar seus planos de trabalho em uma assembleia. A I Assembleia das Mulheres Yanonamis Kumirãyõma, aconteceu nos dias 21 a 23 de junho de 2016,realizou-se a Maturacá da região de Cauburis. Cerca de 60 participantes, entre estes lideranças locais, jovens, crianças e especialmente as mulheres Yanomamis das comunidades Nazaré, Ayarí e da comunidade local, debateram temas de interesse como o fortalecimento da participação das mulheres Yanomamis no movimento indígena do Rio Negro, a inclusão dos conhecimentos relacionados a confecção de artesanatos no espaço escolar e principalmente a contribuição delas nas ações de sustentabilidade e geração de renda para as comunidades.
Outro tema importante discutido foi o manejo dos recursos utilizados para a produção dos artesanatos, que aos poucos vem se fortalecendo desde que a associação deles foi criado há quase um ano (que foi criado justamente com esse objetivo – fortalecer e organizar a produção das mulheres Yanomamis).
Oficinas de artesãos e intercâmbios com outras experiências no âmbito do Rio Negro também foi considerado fundamental para fortalecer a iniciativa de comercialização de artesanatos. 
“Esse trabalho (a realização da primeira assembleia) é resultado de uma luta e trabalho incansável que as mulheres tem feito”, disse cacique Júlio Góes Yanomami, que participou do evento e incentivou as mulheres Yanomami continuarem firmes no trabalho.
A FOIRN marcou presença através da vice-coordenadora do Departamento de Mulheres, Francinéia Fontes e Leonéia Nogueira – gerente da Loja Wariró.
“É muito bom ver as mulheres Yanomami se organizando através de organização e o interesse delas em fortalecer e valorizar a cultura deles, participar e ser protagonistas de ações que contribuem na sustentabilidade e geração de renda de suas comunidades. E o melhor nisso tudo é que elas  usam sua arte como identidade para se  apresentar ao mundo e conquistar seu espaço. E elas tem muita vontade em querer conhecer mais e participar da luta pelos direitos indígenas”, afirma Francinéia.
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Para a realização da assembleia, a associação das mulheres Yanomami contou com parceria e apoio da CR Rio Negro da Fundação Nacional do Indio (Funai), Embaixada Real da Noruega (no âmbito do projeto Fortalecimento da FOIRN) e Rainforest Foundation (no âmbito do Projeto Direitos Indígenas).
A FOIRN através da CAIMBRN ( Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro), representado pelo vice -coordenador Andrônico Benjamim, fez parte diretamente na organização e realização da primeira assembleia da  Kumirãyõma, associação das mulheres Yanomami, da região de Cauburis, Terra Indígena Yanomami.
A assembleia contou com algumas colaboradoras: Luciana/ICMBIO, Maryelle/UFAM, Mariane/UFPE, Beatriz/IFAM.
Fotos: Francinéia Fontes/FOIRN

A aranha vive do que tece

O contexto etnográfico

1Os Pataxó são um povo indígena que, dentre os muitos que habitavam a Bahia no século XVI, resistiu a uma série de tentativas de eliminação física desfechadas desde a chegada dos primeiros europeus ao Brasil. Atualmente, constitui uma população de aproximadamente quinze mil indivíduos distribuídos em trinta e seis aldeias, sendo seis no estado de Minas Gerais, nos municípios de Carmésia (Sede, Retirinho e Imbiruçu); Arassuaí (Aldeia Jundiba); Açucena (Aldeia Jeru Tukumã); e Itapecerica (Aldeia Moãmimati); e trinta no estado da Bahia, concentradas na porção do extremo sul, nos municípios do Prado - Tawá, Cravero, Àguas Belas, Corumbauzinho, Cahy, Alegria Nova, Monte Dourado, Maturembá, Tibá e Pequi ; Itamaraju - Trevo do Parque; Porto Seguro - Juerana, Aldeia Velha, Imbiriba, Xandó, Bujigão, Barra Velha, Pará, Campo do Boi, Meio da Mata, Boca da Mata, Cassiana, Pé do Monte, Jitaí, Guaxuma e Aldeia Nova; e Santa Cruz Cabrália - Coroa Vermelha, Aroeira, Mata Medonha e Nova Coroa (Figura 1). Há também famílias pataxós que vivem em áreas urbanas, principalmente nas cidades mais próximas às aldeias.
1 Mapa elaborado por Juari Braz.
Figura 1. Mapa das aldeias do povo Pataxó localizadas no extremo sul da Bahia.1

O presente artigo é baseado na minha dissertação de mestrado intitulada “Arte e Identidade: adornos corporais Pataxó”, fruto de uma pesquisa etnográfica realizada entre 2010 e 2012, junto ao povo Pataxó do Extremo Sul da Bahia. Ele descreve os adereços pataxó, destacando os processos de aprendizagem, produção, comercialização e circulação entre as aldeias, e apresenta também uma pequena mostra da variedade existente.


Referencia en papel

Arissana Braz Bomfim de Souza, « A aranha vive do que tece », Cadernos de Arte e Antropologia, Vol. 2, No 2 | -1, 13-29.

Referencia electrónica

Arissana Braz Bomfim de Souza, « A aranha vive do que tece », Cadernos de Arte e Antropologia [En línea], Vol. 2, No 2 | 2013, Publicado el 01 octubre 2013, consultado el 28 junio 2016. URL : http://cadernosaa.revues.org/413http://cadernosaa.revues.org/413 ; DOI : 10.4000/cadernosaa.413
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Autor

Arissana Braz Bomfim de Souza

Mestre em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia. Professora na Escola Indígena Pataxó Boca da Mata.
arissana_braz@yahoo.com.br

Notícias IBGE lança Atlas Nacional Digital do Brasil 2016 com caderno temático sobre indígenas e mapas interativos

Publicado em 28 Junho 2016
O IBGE lançou ontem, 27, o Atlas Nacional Digital do Brasil 2016, que incorpora as informações contidas no Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, publicado em 2010, acrescidas de 170 mapas com informações demográficas, econômicas e sociais atualizadas. A publicação traz um caderno temático sobre a população indígena no Brasil, com mapeamento inédito sobre a localização dessa população dentro e fora das terras indígenas.


O aprimoramento do Censo Demográfico 2010 permite análises regionais das informações através do um amplo cruzamento de dados sociodemográficos. A população indígena que vivia em terras indígenas oficialmente reconhecidas na época de sua realização, por exemplo, era de 517,4 mil indígenas, e os maiores percentuais estavam nas regiões Norte (73,5%) e Centro-Oeste (72,5%). Roraima era o estado com o maior percentual (83,2%) e o Rio de Janeiro detinha a menor proporção (2,8%).

As línguas indígenas eram faladas em maior porcentagem nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste, sendo que as terras indígenas localizadas nessa última região alcançaram o percentual mais elevado, 72,4%.

Além do recurso ao texto escrito, o Atlas utiliza mapas, tabelas e gráficos e se estrutura em torno de quatro grandes temas: o Brasil no mundo; Território e meio ambiente; Sociedade e economia; e Redes geográficas.

O Aplicativo permite navegação em ambiente interativo e o usuário pode ter acesso a todas as páginas da publicação, podendo fazer download e consultar os seus dados geográficos, estatísticos e seus metadados (informações sobre o dado).

Clique aqui para ter acesso ao Atlas Nacional Digital do Brasil 2016.

Com informações do IBGE.



Jornal inglês cita genocídio indígena em MS e ilustra com acampamento em Dourados


André Bento
contato@94fmdourados.com.br


Lunae Parracho/Reuters
Jornal inglês cita genocídio indígena em MS e ilustra com acampamento em Dourados
Acampamento improvisado às margens da BR-463 foi retratado na reportagem publicada hoje pelo jornal inglês The Guardian






Um dos principais e mais influentes veículos de comunicação do mundo, o jornal inglês The Guardian publicou nesta quarta-feira (18) uma reportagem na qual Mato Grosso do Sul é apontado como palco de um genocídio indígena. Assinada pelo editor de meio ambiente John Vidal, a publicação é ilustrada com imagens e personagens índios que vivem num acampamento improvisado em Dourados, às margens da BR-463, que liga o município a Ponta Porã.
A reportagem aponta a ocorrência frequente de suicídios entre índios guaranis e elenca a perda de terras ancestrais como motivo. Com base no depoimento do indígena Tonico Benites Guarani, citado como antropólogo e líder do acampamento Apy Ka'y, montado em 2009 às margens da rodovia federal que liga Dourados a Ponta Porã, a publicação fala em ataques de pistoleiros e omissão da Justiça, além de preconceito contra comunidades tradicionais em todo o Estado.
A fotos que ilustram a matéria foram todas feitas em Dourados. Além de uma mulher indígena com o filho no colo dentro de um improvisado barraco às margens da BR-463 – no acampamento onde vivem 150 pessoas -, são retratados Tonico Benites e uma plantação descrita como de cana que, segundo a publicação, incide sobre território reivindicado pelos guaranis. 
Para ler a reportagem do The Guardian no site do jornal basta clicar aqui. Abaixo você pode conferir a publicação traduzida na íntegra.

ATÉ O COMEÇO DO SÉCULO PASSADO, BUGREIROS ERAM PAGOS PELO GOVERNO E POR EMPRESAS DE COLONIZAÇÃO PARA CAPTURAR E, EM MUITOS CASOS, MATAR AQUELES QUE ERAM CONSIDERADOS UMA “AMEAÇA À CIVILIZAÇÃO”: OS INDÍGENAS, PRINCIPALMENTE OS XOCLENGUES ENCONTRADOS NO ALTO VALE DO ITAJAÍ


TEXTO | CAROL MACÁRIO
caroline.macario@diariocatarinense.com.br


“O corpo é que nem uma bananeira, corta macio.”
Depoimento do ex-bugreiro Ireno Pinheiro
ao antropólogo Silvio Coelho dos Santos em 1972

Antes de deitar, os índios xoklengues penduravam as armas de caça e guerra nos galhos das árvores. Deitavam no chão, protegidos apenas por uma cobertura de folhas nas noites de chuva. Prestes a amanhecer, entravam em sono mais profundo. Era nessa hora que os bugreiros atacavam. De tocaia na mata, grupos de oito a 15 homens cercavam o acampamento. Primeiro cortavam os arcos para impedir reação. Disparavam então tiros de escopeta, para causar pânico, e o resto do serviço era feito no fio do facão: rasgavam a carne de homens e mulheres com navalhas afiadas, na barriga, nas costas, na garganta. Crianças eram jogadas para o alto para que caíssem na ponta do facão. As orelhas eram cortadas. Cada par tinha um preço, mas a orelha esquerda era a que valia para comprovar a eficiência da caçada e não deixar dúvidas da quantidade de bugres abatidos.
Em nome do progresso, o povo Laklanõ-Xokleng por pouco não foi exterminado em Santa Catarina. Até 1914, os indígenas eram alvo de caçadas estimuladas e bem pagas pelo governo e empresas privadas de colonização por serem considerados uma “ameaça à civilização”.
Crianças e mulheres poupadas da chacina eram levadas para os centros urbanos. Blumenau foi um dos maiores palcos desse circo de horrores. Na colônia, os bugreiros desfrutavam de prestígio e apoio da sociedade amedrontada pelos “silvícolas”. O caso parece pertencer a um passado remoto, mas até 100 anos atrás a matança era legalizada no Brasil.
Pelo menos 4 mil anos antes da chegada dos primeiros imigrantes europeus ao Brasil, em 1824, os Laklanõ-Xokleng – denominação popularizada pelo etnólogo e antropólogo Silvio Coelho dos Santos (1938-2008), principal pesquisador da etnia – já ocupavam o território que vai de Porto Alegre a Paranaguá (PR). Conhecidos também como botocudos por usarem um enfeite no lábio inferior, eles perambulavam pela região do Vale do Itajaí e Serra Geral e a rota variava de acordo com as necessidades alimentares.
A disputa pelo território já era travada entre os próprios subgrupos xoklengues e era secular entre os guaranis e caingangues. Mas a chegada dos não índios mudou para sempre a situação. Acossados pela transformação do território, passaram a atacar os colonos. O contra-ataque foi sangrento: “Bugreiro, ou, mais explicitamente, caçador de índios, foi assim uma profissão criada e necessária ao capitalismo em expansão nesta parte da América”, escreveu Coe­lho dos Santos no livro Índios e Brancos no Sul do Brasil (1988).
A história desse genocídio mobilizou a comunidade científica internacional, envergonhou o Brasil aos olhos do mundo e resultou na primeira demarcação do país, a Terra Indígena Ibirama, há exatos 90 anos.

Violência autorizada pelo governo

Já na Carta Régia de 1808, Dom João VI afirmava que a guerra aos indígenas estava declarada e quem atrapalhasse a civilização deveria ser combatido.
-Com a Lei de Terras de 1850 a situação indígena se agravou, porque tornou devoluta toda a terra que não tivesse escritura – conta o historiador Rafael Casanova Hoerhann.
A Lei de Terras abriu as portas para os imigrantes que chegavam aos milhares a Santa Catarina. São Pedro de Alcântara recebeu a primeira leva de alemães em 1829. A partir de 1850 o número aumentou. A colônia Blumenau era chamada Hamônia e ocupava toda a área onde hoje é o Vale do Itajaí. Foi a região que recebeu o maior número de imigrantes no Estado.

-As empresas colonizadoras preparavam o terreno para a inserção do colono na região. Eram organizações privadas estrangeiras, que vinham da Alemanha para preparar os lotes. Essas empresas tinham parceria com o governo brasileiro. A Sociedade Colonizadora Hanseática foi uma delas – diz o historiador e pesquisador Dioney Sartor, responsável pelo Arquivo Público Municipal de Ibirama.


Aonde o branco chegou, chegaram também as cercas. As florestas do Vale do Itajaí deram lugar às cidades, às estradas, às fazendas dos colonos e aos empreendimentos madeireiros. Tendo que disputar a caça, o palmito e o pinhão com os novos moradores, os xoklengues assaltavam as propriedades e matavam o gado, quando não os próprios colonos.


– Na Europa se fazia a propaganda de que no Brasil havia terra fértil, boa para plantar e criar gado. Com os ataques, as empresas passaram a reportar o que acontecia para os governos alemão e italiano, que pressionavam o governo brasileiro: “Se vocês querem ocupar a terra, é preciso tomar providências” – conta Hoerhann.


A providência foi afugentar. Os responsáveis pela província e as colonizadoras contratavam patrulhas para percorrer a mata e espantar os indígenas. Em 1880, o governo provincial relatava com a maior simplicidade que “para afugentar os índios, tomaria as medidas de costume: recorrer aos batedores de mato”, conforme narra o antropólogo Coelho dos Santos. O Jornal do Commercio, de Florianópolis, publicou em várias oca­siões pedidos de dinheiro para pagamento a vaqueiros para “que batam as matas e afugentem os silvícolas”.


MAIS DE MIL ASSASSINADOS EM DEFESA DOS COLONOS


As tropas de bugreiros eram formadas por oito a 15 homens. Quase todos caboclos, geralmente parentes, e com muito conhecimento do território. O mais célebre deles foi Martinho Marcelino de Jesus, o Martinho Bugreiro, nascido em Bom Retiro em 1876. Ele vivia da criação de gado, mas no fundo era um aventureiro:


– Além disso era uma atividade que dava prestígio – ressalta Hoerhann.


As histórias sobre Martinho Bugreiro viraram lenda. Uma delas é sobre a vez que foi chamado para prestar esclarecimentos a respeito do assassinato de 100 indígenas. Ele mesmo respondeu: “Deve haver algum engano. Em defesa dos colonos e de suas propriedades eu matei mais de mil índios”.


MITO DA SELVAGERIA DESFEITO EM CONGRESSO

Quando não mortas, as crianças eram capturadas pelos bugreiros, exibidas nas cidades e encaminhadas para orfanatos e conventos. Uma delas foi adotada em Blumenau pelo médico alemão Hugo Gensh. Batizada Maria Korikrã, a menina de nove anos foi educada nas línguas alemã, francesa e português e sabia tocar piano.

A experiência como pai de uma criança indígena foi narrada por Gensh numa monografia. O que o médico queria era desfazer o mito da selvageria e provar que ela era uma pessoa normal como qualquer outra.


O texto foi apresentado num congresso americanista em 1908 e deixou a comunidade científica chocada. Também andava por Santa Catarina na época o aventureiro e etnógrafo checo Albert Vojtech Fric, que terminou por revelar ao resto do mundo as atrocidades dos bugreiros.


A denúncia de Fric causou alvoroço. Envergonhado, o Brasil criou finalmente o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em 1910. Na teoria, era uma tentativa de reduzir os conflitos e nacionalizar as comunidades existentes. Na prática, serviu para garantir a segurança dos colonos.


– Os conflitos se davam com os xoklengues porque eles ainda viviam dentro de suas tradições. Os guaranis e os caingangues já estavam integrados à sociedade. Não dava mais para continuar matando. Havia pessoas aqui para contar lá fora. O Brasil ficou numa cilada: como proteger agora os índios se em 300 anos não tinha conseguido se aproximar deles? – afirma Hoerhann.


Os primeiros funcionários do SPI em Santa Catarina foram militares e por aqui não tiveram sucesso. Dois anos depois chegaram civis. Um deles foi o gaúcho Raul Abbot, que já tinha experiência de contato com os caingangues. Mas ele desistiu, primeiro porque não conseguia encontrar os índios e, em segundo lugar, porque tinha medo de ir para o mato.


É aí que começa a história do herói da pacificação e, ao mesmo tempo, o responsável pela gradual extinção de saberes tradicionais dos indígenas: Eduardo de Lima e Silva Hoerhann.
Fontes: Do Site do Nós

segunda-feira, 27 de junho de 2016

II FÓRUM NACIONAL DE MUSEUS INDÍGENAS, que acontecerá de 15 a 20 de agosto de 2016 na Terra Indígena Kapinawá, em Buíque/PE.

Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas participa de encontro com Fausto Franco em Santa Cruz Cabrália

  No dia 22 de abril de 21, participamos de uma reunião com o Secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco, que veio a convite do Prefei...